segunda-feira, 17 de março de 2008

Rascunho

A cada novo amanhecer, tremo diante das possibilidades que insurgem em meio ao sol
A cada anoitecer, deito-me com a sensação de que não lutei o bastante,
que não fui além de meus medos, meus sonhos medíocres.

Sempre fui egoísta. Talentosa o bastante para pintar minhas mágoas com tinta e papel,
segura o bastante para levantar a voz a cada instante e reclamar de minha solidão.

Fiz mil histórias a partir de uma idéia,
inventei a mim mesma
e a cada novo dia me desfaço, e me construo outra vez
num mosaico indefinido.

Coloquei minha alma no papel e vi, horrorizada
que ela tinha várias faces,
como um espelho que se parte em pedaços.

A cada verso que escrevo, me descubro
às vezes, diferente do que era antes
às vezes, voltando a ser criança
às vezes, irreconhecível.

Como poderia eu fugir de mim mesma?
se me olho no espelho e aqueles insistentes que outrora me faziam rir
me deixam cheia de dúvida e rancor.

porquê assim? Poderá esse corpo expressar tão bem as faces de minha alma?
sinceramente acho que não...
afinal, nada mais sou que um rosto a mais na multidão
olhos sem brilho, coração sem amor, nome sem história.

tão tola, tão ingênua,
escrevo versos que provelmente ninguém lerá.
espero por um futuro que tavez nem virá
e almejo por uma mudança que não sou capaz de realizar.


Mas tudo bem, é tudo culpa do lirismo e dessa alma melancólica que Deus me deu.
Que vai buscar não sei onde, tantos pensamentos tristes,
que tira de um coração adormecido tantos sentimentos para seus personagens,
embora eu mesma às vezes me sinta como um personagem vazio, num teatro de sombras,
sem licença poética...


Pode ser que a vida se resuma apenas a nascer e morrer
mas a minha vida tem valor
diante dos deuses do passado e das memórias futuras.


Talvez eu não passe de um rascunho:
Confuso, incoerente, incerto.
o rascunho de uma mulher.
Mas aprendi, com esforço, que toda obra-prima é feita de rascunhos, de várias tentativas, geralmente desanimadoras.


O mundo é daqueles que não desistem de se melhorar, daqueles que não tem medo de mudar.
Ainda sou um rascunho, mas não quero ser perfeita.


da imortalidade, quero apenas um traço:ser inesquecível,
Do futuro apenas uma chance:
A de me reconstruir a cada manhã.
De minha mente apenas um desejo:
O paradoxo de mudar e permanecer intacta.
Não sou um rascunho, sou um obra em construção

2 comentários:

Neo-k disse...

*.*

puts... ahh... eu li sim^^

e tipo.. concordo com vc...

vc eh uma obra em construção ^^

e so depende de um pouquinho de esforço para isso ^^

Anônimo disse...

Eh, texto muito bom!
Reflexivo...

Falow...